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POESIA PARAIBANA DO SÉCULO 21

Prefácio a ENGENHO ARRETADO, poesia paraibana do século 21 (Patuá, 2022)

Por Amador Ribeiro Neto



Meses antes da pandemia da COVID 19 se instalar em nossas vidas, esta antologia estava com os poemas praticamente selecionados. O convite fora feito a poetas paraibanos/as – ou a quem residisse no estado há mais de dois anos. Requisito único: publicação em livro de poesia, pela primeira vez, a partir do ano 2000.


Assim, esta é uma antologia paraibana de poetas que estreiam em livro no século 21. Apresentamos a proposta ao Eduardo Lacerda, editor da Patuá, que conhece de perto a cena paraibana e vem publicando diversos títulos de poetas daqui. Com muita boa vontade e simpatia abriu os braços e acolheu o projeto imediatamente.


O ano era de 2018. Divulgação feita, prazos concluídos, poemas recebidos, iniciei a leitura e seleção de inúmeros originais. Tudo ia muito bem, até que adoeci durante boa parte do ano de 2019.


Entre abril e junho de 2020, com os poemas selecionados, voltei a manter contato com os poetas. Passados mais de um ano, supus que além de revisar os poemas e a biografia, os/as poetas selecionados/as talvez quisessem substituir alguns ou todos os poemas. Dito e feito: revisaram e substituíram-nos, como lhes pareceu melhor.


Agora já estávamos na pandemia. O isolamento impunha-se como regra geral. Eu, com todo o material novamente em mãos, minha saúde, mais uma vez (não era COVID), voltou a estraçalhar-me o ritmo de trabalho.


Em janeiro de 2021, retomei o contato com os poetas. Pedi-lhes que atualizassem os dados biográficos e, em alguns casos de atraso, que concluíssem a revisão de seus poemas. Interrupção após interrupção, a antologia ficara, finalmente, pronta no final do ano. Antes, tivera o cuidado de conferir junto ao editor se a carta branca para a publicação continuava de pé. Nada mudara, me garantira ele. Nem a pandemia, nem a crise econômica gerada pelo desgoverno do absurdo governo federal, nem o preço astronômico do papel, das tintas, da impressão – nem a inflação de dois dígitos desencorajavam nosso editor. Avante!


***


Engenho arretado: poesia paraibana do século 21. A antologia abraça poetas dos quatro cantos da Paraíba: sertão, alto sertão, cariri, brejo, litoral. De dentro e fora do estado. Até do exterior. Há poesia com linguagem arrojada à mais tradicional e popular. Os temas correm dos amorosos aos religiosos, políticos, sociais, eróticos, de gênero, memorialistas, feministas – dentre outros. As formas variam do cordel ao, aforisma, poesia em prosa, soneto, terceto, quadra, poema piada, poema visual – o escambau.


Nenhum limite foi feito às e aos poetas, bem como nenhuma restrição observada à hora da seleção, quer de ordem ideológica ou estética ou outra qualquer. Antes: buscou-se a pluralidade e a diversidade que espelhassem a riqueza da cena da poesia paraibana contemporânea.


Uma poesia reconhecida nacionalmente por sua efervescência produtiva, que se reflete, por exemplo, em eventos, como saraus literários, lítero-musicais e teatrais.


Entre as poetas da antologia, há duas que são editoras de livros. Outros/as coordenam blogues, sites, revistas literárias, programas de YouTube, assinam colunas em jornais impressos diários e/ou suplementos literários (o estado possui um dos mais antigos em circulação do país, o Correio das Artes), dentre tantos outros meios de produção literária do estado e do país.


O título da antologia destaca a engenhosidade da arretada nova poesia paraibana, mas não deixa de ser também uma homenagem a Zé Lins do Rego, grande contador de histórias que nasceu numa fazenda de engenho da Paraíba e valeu-se dele na literatura, assim como João Cabral e tantos outros. Nossa antologia quer o engenho historicizado, sim, ressignificado, também, e intertextualizado, sempre, com Camões, por exemplo, cantando e espalhando “por toda parte se a tanto me ajudar engenho e arte”. É o que nos mostra cada poeta aqui presente com sua arte arretada – palavra nordestina, quiçá paraibana, pra arquitetar o engenho e a poesia ainda mais particulares, portanto, mais universais.


Para esta antologia tivemos quase trezentos/as poetas inscritos (297), mais de quatro mil poemas recebidos (4.223). Aqui está o livro com seus 49 (quarente e nove) poetas, em ordem alfabética. Poetas com a vibe da poesia do século 21.


Ao final do volume há uma minibiografia com dados biointelectuais de cada poeta participante, fechando com e-mail de cada um/a, o que abre espaço para possíveis diálogos poéticos com o leitor.


Enfim, uma mostra da poesia paraibana com sua graça, garra e gana.


Desejo-lhe, leitor, boa leitura. Com a mesma felicidade que tomou conta de mim quando tive a ideia do projeto. Com a alegria que o desenvolvi. Com o ânimo que o entrego à Patuá, confiante na poesia paraibana do século 21.


joão pessoa, junho de 2022

viva são joão!

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