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Pouca banana, pouco feijão

Por Ademir Demarchi


Banana feijão. Juliana Pithon. Ilustração de Maria Carolina Cabana Marchi. Bragança Paulista: Urutau, 2020.


A publicação de um livro de poemas inspirado na tropicália e com um título inusitado como Banana feijão parece num primeiro momento instigante, especialmente com a inspirada apresentação gráfica, feita em tons pastéis e pastiches de imagens icônicas do movimento por Maria Carolina Marchi (que, observo, a propósito do coincidental sobrenome, não conheço). No entanto, com a busca dos “versos” (assim, marinheira de primeira viagem, Juliana Pithon os denomina), logo se cai no vazio, pois, ainda que compartilhemos o entusiasmo dela pelo assunto, não encontramos no livro um resultado à altura da pretensão. Faltou a assimilação após um real mergulho no conteúdo, na ideologia contestatória antropofágica da cultura pelos tropicalistas, além de um empenho em transformar isso em regurgitação criativa em novo conteúdo que estivesse afinado com o presente. Em se tratando de uma tentativa antropofágica, assim, resultou num vômito superficial sem deglutição, em vez de uma efetiva regurgitação contestatória e crítica, no próprio espírito da antropofagia e da tropicália, que é o que fica nos devendo Juliana Marchi, à altura do epíteto “cúspide” que definiu para si na biografia inserida no livro. O entusiasmo dela pelo assunto nos faz esperar que sim.

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