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SOBRE CHIU YI CHIH

  • Foto do escritor: jornalbanquete
    jornalbanquete
  • há 8 horas
  • 2 min de leitura

Marcelo Ariel

 

Na poética híbrida do sino-brasileiro Chiu Yi Chih, as imagens são, de certa forma, libertadas da memória da experiência e pensam por si mesmas. Chiu evoca as imagens de sonho com a intenção de libertá-las do sonhador: é uma espécie de poética da insurreição das imagens que bebe, obviamente, nas fontes do surrealismo - fontes que transbordaram e se tornaram um rio cada vez menos visitado pela poesia contemporânea brasileira, presa na água canalizada de uma imprecisa e epocal autoficcionalização do poema. 


Chiu recebeu a influência vital dos grandes poetas imagísticos do surrealismo; contudo, sua poesia imagética é profundamente influenciada pela filosofia taoísta, o que por si só a torna única dentro do espectro da poesia contemporânea. Se a poesia é uma aventura em direção ao infinito da linguagem, ela é também a busca por um equilíbrio louco entre a palavra e as coisas, a palavra e a natureza onírica do mundo. 


Vigílias dialoga de forma visceral com seu primeiro livro Naufrágios, também apresentado por mim: há um curioso uroboro de fogo unindo, desde o começo, a continuidade do projeto poético-imagético-filosófico de Chiu. As imagens de alguns poemas de Vigílias beiram o paroxismo do paradoxo e, em alguns momentos, se irmanam com a poética igualmente paradoxal e paroxística do português radicado no Brasil, Luís Serguilha. Também é presente nos poemas de Vigílias uma evocação e profunda aproximação com elementos estilísticos do simbolismo e também da poesia barroca. Chiu realiza uma síntese das escolas poéticas que tentam abarcar o mundo como um sonho; a diferença é que - e é necessário repetir isso -, na sua poesia, as imagens de sonho estão livres do sonhador: é como se o próprio mundo fosse o narrador e o eu do poeta se dissolvesse naquilo que ele narra: o poema em sua visceralidade diacrítica. 

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Marcelo Ariel é poeta, ensaísta e teatrólogo. Nasceu em Santos (SP), em 1968, viveu a maior parte do início de sua vida em Cubatão e hoje está radicado em São Paulo. Autor de A água veio do sol, disse o breu (Círculo de Poemas/ Fósforo Editora, 2023) entre outros.

 

 

 
 
 

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