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Sobre “Não”, de Augusto de Campos
Por André Dick O livro NÃO, de Augusto de Campos, reúne poemas escritos de 1977 a 2002 (exceto um poema datado de 1953-2003) e apresenta uma capa com o enorme NÃO acompanhado por “poemas”, em letras douradas, contra um azul marinho, que, ao contrário do vermelho vivo de VIVA VAIA e do pano de fundo dourado de Despoesia, parece se associar a uma espécie de desesperança (este “des”, como em Despoesia, é vital). Dedicado a Lygia, e in memoriam, a Haroldo e a Julio Plaza, figuras

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20 de jun.7 min de leitura


Noite Devorada
Flaviano Maciel Vieira Mar Becker nasceu em Passo Fundo (RS). Seu livro de estreia é A mulher submersa (Urutau, 2020). Em 2021, foi uma das finalistas do Prêmio Jabuti, na categoria Poesia, e também recebeu o Prêmio Minuano de Literatura. Seu livro de estreia foi bem recebido pela crítica e indicado como um dos melhores livros de 2020 pelo Suplemento Pernambuco e pela revista literária da Folha de São Paulo, Quatro Cinco Um. Com a publicação de Sal (Assírio & Alvim Brasil

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20 de jun.7 min de leitura


A imersão de Carlos Gurgel no caos da existência
Por Lau Siqueira “Todo poema é basicamente uma estrutura sonora.” Esta frase do Antônio Candido define, em linhas gerais, a espinha dorsal do último livro do poeta potiguar Carlos Gurgel. Uma obra preciosa e complexa, delicada e explosiva. Uma verdadeira tempestade de significados. Um livro imprescindível para compreendermos que a poesia brasileira contemporânea é um território de inconstâncias. O “Escambo do Caos”, publicado em 2025 pela Editora Sol Negro é uma sequência d

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20 de jun.3 min de leitura


SOBRE CHIU YI CHIH
Marcelo Ariel Na poética híbrida do sino-brasileiro Chiu Yi Chih, as imagens são, de certa forma, libertadas da memória da experiência e pensam por si mesmas. Chiu evoca as imagens de sonho com a intenção de libertá-las do sonhador: é uma espécie de poética da insurreição das imagens que bebe, obviamente, nas fontes do surrealismo - fontes que transbordaram e se tornaram um rio cada vez menos visitado pela poesia contemporânea brasileira, presa na água canalizada de uma imp

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20 de jun.2 min de leitura


UM POETA DE INCALCULÁVEIS TEMPOS E ESPAÇOS
Claudio Daniel Augusto de Campos é o poeta central da literatura brasileira contemporânea, ou seja, desde a segunda metade do século XX até os dias atuais, e não apenas por sua obra poética autoral, tema de estudo do presente livro, mas também por seu trabalho como tradutor, ensaísta, crítico literário e pensador da poesia e da cultura. O poeta vivenciou um período conturbado de nossa história – dos governos nacionalistas de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goula

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20 de jun.6 min de leitura


Cinismos da amargura
Por Ademir Demarchi O existencialismo encontrou no escritor e filósofo Émile Cioran (1911-1995) um sagaz e irônico pensador quando ele se mudou da Romênia para a França e começou a publicar livros como Breviário da decomposição (1949). Incomodado com sua própria condição de mal-humorado, mas transcendendo-a, ele criou uma obra pensando o ser humano como uma criatura decaída, asfixiado pela vida cotidiana normatizada e marcada pela insignificância e pelo efêmero. Essa obra

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20 de jun.3 min de leitura


“Fora do alcance da memória” – uma exegese
Por Guilhermino Domiciano Eis que o poeta levanta a cabeça. Acaba de fazer sessenta anos; tinha trinta e cinco quando Osama Bin Laden derrubou as Torres Gêmeas em Nova Iorque; cinquenta e três quando o Exército Brasileiro matou o catador de latinhas Luciano Macedo no Rio de Janeiro. Precisa falar com frescor no mundo que amadurece sob um sol difícil. Olha a própria obra, acrescenta, revisa, melhora o imperfeito. Sabe a fogo de ourives, a sabão de lavandeiro. Trabalha, Homo

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20 de jun.5 min de leitura


BAFO DO MONDEGO, DE BRUNO MOLINERO
Por Amador Ribeiro Neto “Aí você chega a Portugal e sua vida vira um inferno”, desabafa um imigrante brasileiro na crônica de abertura de Bafo do Mondego (Urutau, 2025). A frase não é apenas um desabafo: é uma chave de leitura — ou, talvez, uma fissura. A experiência narrada rapidamente se converte em rotina: depois de entregar toda a economia como fiança de um apartamento, resta ao personagem o cerco invisível da burocracia — essa engrenagem opaca que reverbera, por quas

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20 de jun.3 min de leitura


TUDO É FALSO, MENOS A ARTE (RICARDO LIMA)
Por Henrique Duarte Neto Ricardo Lima brinda-nos com novo lançamento (Tudo é falso, Ateliê Editorial, 2025). Ele que é um dos poetas mais parcimoniosos e regulares que conheço no quesito publicação. Oito livros de poesia desde 1994. Nem pouco, nem muito. Publiquei há dez anos, um livrinho (As múltiplas faces do tempo na poesia de Ricardo Lima, Insular, 2016) de pouco mais de 100 páginas sobre o arco que vai de Primeiro segundo, seu opúsculo de estreia, até o sexto, Desconhece

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20 de jun.6 min de leitura


A poesia está na rua e no livro
Por Mário Alex Rosa O novo livro infantojuvenil do jornalista e poeta Maurício Guilherme Silva Jr. chega para atravessar as "avenidas" das leituras possíveis. Digo avenidas não só porque remete ao título, mas devido aos diálogos que constrói com a poesia de Carlos Drummond. Ou melhor, não deixa de ser uma homenagem ao poeta de Itabira. "Avenida poesia", embora distribuído em pequenos textos próximos da narrativa, se bem lido, veremos que é praticamente um poema – digamos, nar

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20 de jun.2 min de leitura


Apresentação do Banquete Especial Augusto de Campos (Parte 2)
A segunda edição do especial dedicado a Augusto de Campos no Banquete – Jornal de Resenhas e Crítica Literária aprofunda o debate em torno de uma obra que permanece decisiva para repensar o lugar da literatura (brasileira ou universal) no presente ou no “pressauro”, dependendo do ponto de vista. Adam Joseph Shellhorse, em diálogo com seu livro Antiliteratura , argumenta que as categorias críticas tradicionais já não dão conta da potência da escrita contemporânea. Diante de u

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2 de mar.2 min de leitura


As palavras de Augusto de Campos: potência, política e passagens da imanência
Por Adam Joseph Shellhorse Como argumentei em Antiliteratura (2025), em nosso tempo, os problemas que envolvem o debate literário mudaram, e as categorias e vocabulários tradicionais não são os mais aptos para descrever a natureza da literatura e seu poder interveniente. Precisamos inventar novos conceitos que nos ajudem a pensar de uma nova maneira. Precisamos forjar conceitos que correspondam à nossa realidade – e essa “realidade” abrange a produtividade e a potência d

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1 de mar.7 min de leitura


“Riverrun”: apontamentos sobre Augusto de Campos
Por Jardel Dias Cavalcanti Augusto de Campos encarna vigorosamente a paixão pela poesia. Seja na manifestação da poesia em si, seja na sua tradução, seja na crítica criativa, seja na leitura dos poetas. Seria pouco ver apenas a poesia como foco de interesse de Augusto de Campos, já que sua paixão pela música (erudita e popular), pelo cinema de vanguarda e pelas artes plásticas é tão profunda como a que devota à poesia. Uma relação interdisciplinar, diga-se de passagem, de c

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1 de mar.5 min de leitura


A lírica inicial de Augusto de Campos
Por Claudio Daniel A poesia inicial de Augusto de Campos foi reunida no livro O rei menos o reino , publicado em 1951, edição custeada pelo próprio autor, sob a rubrica de uma imaginária “Edições Maldoror”, cujo nome remete ao poeta francês Lautréamont, pseudônimo de Isidore Ducasse, um dos autores de cabeceira do poeta paulista na época, que também usa como epígrafe do poema Canto primeiro e último uma sentença do autor francês, On meurt, au moins (“nós morremos, ao meno

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1 de mar.15 min de leitura


Augusto de Campos, leitor de poesia
Por Solange Rebuzzi Publicado em 2006 pela Editora Perspectiva, Poesia da recusa , de Augusto de Campos, integra a Coleção Signos. Passadas duas décadas, a seleção, com projeto gráfico de Sérgio Kon, pode ser relida como um conjunto de poetas cuja obra, segundo o organizador, preserva “integridade ética e estética”. Entre os treze poetas reunidos, estão Anna Akhmátova, Boris Pasternak, Marina Tsvetáieva, Óssip Mandelstam, Sierguéi Iessiênin e o alemão Quirinus Kuhlmann....

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1 de mar.5 min de leitura


“Pós poemas”: linguagem em estado de luta
Por Josinei de Souza Arevalo Poucos poetas brasileiros atravessaram tantas décadas sem transformar sua própria obra em monumento imóvel. Augusto de Campos, desde os anos 1950, construiu uma área de tensão permanente. Fundador da poesia concreta ao lado de Haroldo de Campos e Décio Pignatari, ele nunca tratou o poema como espaço de expressão subjetiva, mas como artefato crítico, onde palavra, som e forma visual atuam conjuntamente. Pós poemas , publicado quando o poeta

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1 de mar.3 min de leitura


“Contrapoemas”: poesia sob o céu de improviso da luta política
Por Ademir Demarchi O convívio com os livros de Augusto de Campos e suas traduções é sempre altamente estimulante para qualquer um que esteja envolvido com a escrita ou reflexão sobre linguagem ou na prática de mera leitura errante. Tal assertiva seria quase dispensável, não fosse o fato de que, em períodos de empobrecimento do debate público e de fragilização das políticas culturais e educacionais, torna-se necessário reafirmar o papel decisivo da linguagem como espaço de co

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1 de mar.20 min de leitura


Profilogramas, uma ideia de perfil
Por Julio Abreu Começo este texto citando a definição que o próprio Augusto de Campos escreveu para a palavra profilograma: Com esse nome – PROFILOGRAMA – batizei alguns dos trabalhos encontráveis em três dos meus livros de poemas, VIVA VAIA, DESPOESIA, NÃO. Trata-se de coisas meio inclassificáveis – poemas (às vezes sem palavras), que tentam ser também biogramas. Retratos poéticos que têm a ver com a personalidade daqueles em que se inspiraram: interpretações gráficas qu

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1 de mar.5 min de leitura


A pó-ética de Augusto de Campos
Por Flaviano Maciel Vieira A produção poética de Augusto de Campos constitui-se como uma experimentação radical da materialidade da linguagem e de seus modos de intercâmbio. Trata-se de uma obra atravessada pela inovação e por uma perspectiva visionária que a inscreve no campo das vanguardas da segunda metade do século XX. Desde o surgimento da poesia concreta, suas criações exploraram recursos artesanais e semiartesanais, como a aplicação de letraset e o uso de dobraduras de

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1 de mar.9 min de leitura


Augusto mais provençal
Por André Dick O poeta Augusto de Campos foi um dos principais recuperadores da poesia dos trovadores provençais: Arnaut Daniel, Raimbaut d’Aurenga, Guilhelm de Peitieu, Marcabru, Bertran de Born, Bernart de Ventadorn e Peire Cardenal são alguns dos poetas traduzidos pelo autor, em obras como Verso reveroso controverso , Mais provençais e Invenção . Segundo Augusto, O idioma dos trobadors constitui uma modalidade de língua neolatina a langue d’oc (língua do oc ou do s

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1 de mar.10 min de leitura
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