Apresentação do Banquete Especial Augusto de Campos (Parte 2)
- jornalbanquete
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A segunda edição do especial dedicado a Augusto de CamposĀ no Banquete ā Jornal de Resenhas e CrĆtica LiterĆ”riaĀ aprofunda o debate em torno de uma obra que permanece decisiva para repensar o lugar da literatura (brasileira ou universal) no presente ou no āpressauroā, dependendo do ponto de vista.
Adam Joseph Shellhorse, em diĆ”logo com seu livro Antiliteratura, argumenta que as categorias crĆticas tradicionais jĆ” nĆ£o dĆ£o conta da potĆŖncia da escrita contemporĆ¢nea. Diante de um ambiente tecnomediado marcado pela indiferenƧa Ć literatura, ele propƵe compreender a obra de Augusto como antiliterĆ”ria no sentido produtivo do termo: nĆ£o negação, mas reinvenção da forƧa crĆtica do poema. A palavra-coisa verbivocovisual deixa de operar como representação linear e passa a agir como campo de intensidades e afetos, capaz de desativar hierarquias e restituir Ć literatura seu poder interveniente.
O especial se desdobra, entĆ£o, em mĆŗltiplas frentes crĆticas. Jardel Dias CavalcantiĀ examina a trajetória de Augusto como um percurso de permanente reinvenção formal, mostrando como sua obra atravessa diferentes momentos sem jamais se acomodar. Claudio Daniel retorna a O rei menos o reino, revelando no livro de estreia tensƵes que jĆ” anunciam rupturas futuras. Solange RebuzziĀ dedica-se Ć s traduƧƵes reunidas em Poesia da recusa, com destaque para poetas russas como Anna AkhmĆ”tova, evidenciando a tradução como gesto crĆtico.
A dimensĆ£o experimental reaparece no estudo de Josinei de Souza ArevaloĀ sobre os Pós-poemas, enquanto Ademir DemarchiĀ analisa os contrapoemas sob o viĆ©s de sua posição polĆtica. Julio Abreu investiga os profilogramas como forma hĆbrida entre escrita e visualidade, e Flaviano Maciel VieiraĀ propƵe uma leitura da āpó-Ć©ticaā augustiana como fusĆ£o entre criação e crĆtica. JĆ” MĆ”rio Alex Rosa faz um estudo sobre a rima na obra de Augusto, analisando poemas referenciais nesse sentido.
As traduções recebem atenção especial. Luis Henrique Garcia Ferreira examina o Jaguadarte, versão de Lewis Carroll, como exemplo de transcriação radical, enquanto Ricardo Silvestrin analisa as traduções de Rainer Maria Rilke, sublinhando o rigor formal e a reinvenção sonora que caracterizam a atuação de Augusto como tradutor. Por fim, André Dick aborda as recriações dos provençais, como Arnaut Daniel, feitas por Augusto.
Desejamos boa leitura.
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Org. Claudio Daniel e AndrƩ Dick
Imagem: Homenagem ao poema ācontraluz (fluorpoema)ā, de Pós-poemas, de Augusto de Campos. Design da imagem de AndrĆ© Dick.

