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Apresentação do Banquete Especial Augusto de Campos (Parte 2)

  • Foto do escritor: jornalbanquete
    jornalbanquete
  • hĆ” 22 horas
  • 2 min de leitura

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A segunda edição do especial dedicado a Augusto de CamposĀ no Banquete – Jornal de Resenhas e CrĆ­tica LiterĆ”riaĀ aprofunda o debate em torno de uma obra que permanece decisiva para repensar o lugar da literatura (brasileira ou universal) no presente ou no ā€œpressauroā€, dependendo do ponto de vista.


Adam Joseph Shellhorse, em diÔlogo com seu livro Antiliteratura, argumenta que as categorias críticas tradicionais jÔ não dão conta da potência da escrita contemporânea. Diante de um ambiente tecnomediado marcado pela indiferença à literatura, ele propõe compreender a obra de Augusto como antiliterÔria no sentido produtivo do termo: não negação, mas reinvenção da força crítica do poema. A palavra-coisa verbivocovisual deixa de operar como representação linear e passa a agir como campo de intensidades e afetos, capaz de desativar hierarquias e restituir à literatura seu poder interveniente.


O especial se desdobra, então, em múltiplas frentes críticas. Jardel Dias Cavalcanti examina a trajetória de Augusto como um percurso de permanente reinvenção formal, mostrando como sua obra atravessa diferentes momentos sem jamais se acomodar. Claudio Daniel retorna a O rei menos o reino, revelando no livro de estreia tensões que jÔ anunciam rupturas futuras. Solange Rebuzzi dedica-se às traduções reunidas em Poesia da recusa, com destaque para poetas russas como Anna AkhmÔtova, evidenciando a tradução como gesto crítico.


A dimensĆ£o experimental reaparece no estudo de Josinei de Souza ArevaloĀ sobre os Pós-poemas, enquanto Ademir DemarchiĀ analisa os contrapoemas sob o viĆ©s de sua posição polĆ­tica. Julio Abreu investiga os profilogramas como forma hĆ­brida entre escrita e visualidade, e Flaviano Maciel VieiraĀ propƵe uma leitura da ā€œpó-Ć©ticaā€ augustiana como fusĆ£o entre criação e crĆ­tica. JĆ” MĆ”rio Alex Rosa faz um estudo sobre a rima na obra de Augusto, analisando poemas referenciais nesse sentido.


As traduções recebem atenção especial. Luis Henrique Garcia Ferreira examina o Jaguadarte, versão de Lewis Carroll, como exemplo de transcriação radical, enquanto Ricardo Silvestrin analisa as traduções de Rainer Maria Rilke, sublinhando o rigor formal e a reinvenção sonora que caracterizam a atuação de Augusto como tradutor. Por fim, André Dick aborda as recriações dos provençais, como Arnaut Daniel, feitas por Augusto.


Desejamos boa leitura.

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Org. Claudio Daniel e AndrƩ Dick


Imagem: Homenagem ao poema ā€œcontraluz (fluorpoema)ā€, de Pós-poemas, de Augusto de Campos. Design da imagem de AndrĆ© Dick.

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2022 por Paola Schroeder, Claudio Daniel, Rita Coitinho e André Dick

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