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Apresentação do Banquete Especial Augusto de Campos (Parte 1)

  • Foto do escritor: jornalbanquete
    jornalbanquete
  • há 6 horas
  • 2 min de leitura

Poucos autores atravessaram tantas transformações da poesia brasileira mantendo, ao mesmo tempo, radicalidade formal, rigor crítico e permanente abertura ao novo quanto Augusto de Campos, que fez 95 anos no dia 14 de fevereiro. Poeta, tradutor, ensaísta e experimentador incansável das linguagens, sua obra não apenas marcou decisivamente a Poesia Concreta, como também redefiniu as possibilidades do poema como campo visual, sonoro e conceitual, influenciando gerações sucessivas de leitores e criadores.

 

Dividido em duas edições, este especial do Banquete – Jornal de Resenhas e Crítica Literária reúne leituras plurais que não buscam fixar Augusto em uma tradição estabilizada, mas acompanhá-lo em movimento – uma tensão entre invenção e leitura crítica, entre herança modernista e reinvenção permanente da forma poética. Os textos aqui reunidos abordam momentos, livros e problemas centrais de sua trajetória, compondo um mosaico interpretativo que evidencia a vitalidade de uma obra ainda provocadora.

 

Arnaldo Antunes propõe um depoimento crítico-afetivo ao investigar aquilo que Augusto ensinou a ele, não apenas técnicas, mas uma ética da invenção e da precisão verbal. Amador Ribeiro Neto oferece uma leitura panorâmica de Outro, destacando continuidades e rupturas que estruturam décadas de experimentação. Já Claudio Daniel revisita a dimensão de Pós poemas, refletindo sobre a expansão do gesto concreto em direções posteriores e suas reverberações contemporâneas.

 

Paulo de Toledo examina alguns poemas de Augusto e o uso recorrente do prefixo “ex” em poemas-chave, revelando operações de subtração, deslocamento e reinvenção semântica que atravessam a escrita augustiana. Scheila Maués dedica-se a Colidouescapo, explorando seus mecanismos de choque e experimento verbal, enquanto Daniel Osiecki retoma Outro, livro em que a alteridade se manifesta tanto formal quanto conceitualmente e graficamente.

 

Danilo Bueno aborda Rimbaud livre, enfatizando o diálogo tradutório como gesto criativo e recriação crítica da tradição moderna. Carlos Ávila percorre a trajetória do poeta, observando como coerência e mutação convivem numa obra que traz sempre novos elementos. André Dick retorna Viva vaia, uma das obras mais referenciais do autor, reunindo parte significativa de sua trajetória.

 

Djavam Damasceno revisita Poetamenos, obra inaugural cuja radicalidade ainda projeta efeitos sobre a poesia visual contemporânea. E Rogério Cámara investiga as relações entre a poesia de Augusto e Mallarmé, retomando também Colidouescapo como ponto de convergência entre tradição simbolista de Mallarmé e experimentação concreta.

 

Mais do que homenagem, esta primeira edição do especial propõe uma leitura em processo: Augusto de Campos surge aqui como um operador crítico da linguagem – um poeta cuja obra continua a exigir novas formas de leitura. Ao reunir vozes diversas, o Banquete - Jornal de Resenhas e Crítica Literária reafirma seu compromisso com a crítica ativa e com o pensamento da poesia como espaço de invenção contínua.

 

Desejamos boa leitura e até a próxima edição.

 

Org. Claudio Daniel e André Dick


  • Imagem: André Dick



 
 
 

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2022 por Paola Schroeder, Claudio Daniel, Rita Coitinho e André Dick

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