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“Contrapoemas”: poesia sob o céu de improviso da luta política

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    jornalbanquete
  • 1 de mar.
  • 20 min de leitura

Por Ademir Demarchi


O convívio com os livros de Augusto de Campos e suas traduções é sempre altamente estimulante para qualquer um que esteja envolvido com a escrita ou reflexão sobre linguagem ou na prática de mera leitura errante. Tal assertiva seria quase dispensável, não fosse o fato de que, em períodos de empobrecimento do debate público e de fragilização das políticas culturais e educacionais, torna-se necessário reafirmar o papel decisivo da linguagem como espaço de consciência crítica.


Nesse cenário, a obra construída por Augusto de Campos é subversiva, não apenas por representar uma “poesia da recusa”, que age para desmontar os sentidos unívocos do que seja poesia - exemplificam essa constatação, por exemplo, o fato de que dois de seus livros têm os títulos “despoesia” e “não”, além da antologia Poesia da recusa, em que compila textos de vários poetas. Sua prática é de um pensamento que se rebela com os limites da linguagem, mas também porque, existindo, é um ato contra a barbárie contra a qual se luta, fato muitas vezes expresso também em vários de seus poemas. Por isso, ter contato com sua obra é altamente estimulante para o pensamento, assim como gesto de uma forma de resistência em que só temos a comemorar seus 95 anos de intensa prática tradutória e de escrita poética.


Focado essencialmente na linguagem, priorizando a busca de seus limites, chega a ser eventual em sua poesia publicada em livro um olhar externo à linguagem, em que ocorra a manifestação política em relação ao momento em que se vive, posicionamento em geral deixado às entrevistas. Ainda que não apenas esses, são marcantes disso, por exemplo, dois momentos: por ocasião do recebimento do Prêmio Neruda, concedido pelo Conselho Nacional de Cultura e Artes do Chile e também no momento do recebimento da Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo governo brasileiro. Nessas ocasiões, de grande visibilidade e repercussão pelas premiações, Augusto de Campos, em cenário de intensa luta política em que se conspirava contra o mandato de Dilma Roussef, usou a mídia, através das entrevistas dadas, para se manifestar em defesa da democracia e do mandato presidencial conquistado nas urnas.


No entanto, pode se dizer que se eram raros os poemas nesse sentido, isso mudou radicalmente quando o poeta passou a usar o Instagram em 2018, com a assinatura “poetamenos”. Através dessa mídia, Augusto de Campos se integrou à intensa luta política para impedir que Dilma Rousseff fosse cassada, assim como à luta contra os processos da Lava Jato contra Lula e pela sua libertação, encontrando aí um veículo perfeitamente adequado à publicação de poemas ou ready-mades de manifestação política, denominando-os “contrapoemas”. Dessa experiência, cessada a raridade da publicação de poemas de tom político em livro, ele selecionou alguns deles, cinco apenas, no seu mais recente livro Pós poemas, de 2024, numa seção denominada “’contra/ poemas”, subtitulada “agitprops”, cuja característica ressaltada, nessa seleção, é de se referirem a Bolsonaro.


Em entrevista à revista Tutameia (por Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena, em 19 de abril de 2019), questionado sobre qual seria “a motivação de fazer a mostra ‘poemas e contrapoemas’ neste momento e qual o significado dela num contexto em que o governo atua contra a arte e a produção cultural brasileira?”, Augusto de Campos responde, comentando a sua ideia dos contrapoemas: “Precisamente, a oportunidade que me deram de expor, ao lado de obras que por sua própria linguagem desbordam do convencional, algumas outras – as que chamo mais especificamente de “contrapoemas” – que se arriscam à linguagem não-poética e mais ainda à de inflexões políticas, o que é talvez a maneira mais difícil de fazer poesia. E, desse modo, mostrar o meu inconformismo com a atual democracia meia bota brasileira, decorrente das últimas eleições para a presidência do país, que considero retrógrada e catastrófica”.


Ao questionamento, pelos editores, sobre o que seriam os contrapoemas e como fazê- los, Augusto de Campos responde: “Os ‘contrapoemas’ referem-se, como eu disse, mais propriamente aos textos que utilizam uma linguagem pouco ‘poética’, distante não só da poesia como da prosa literária, algo que poderia encontrar o seu antecedente no ‘Fonte’ de Duchamp, ou no ‘Quadrado Branco’ de Maliévitch, e nas vanguardas do início do século 20, especialmente no futurismo e no dadaísmo, textos porém marcados pelo viés político e não apenas por uma negação de posturas convencionais do universo da arte. Inspiradas também, pela proposição de Maiakóvski – ‘sem forma revolucionária não pode haver poesia revolucionária’ – que os poetas concretos acresceram aos seus manifestos, no ‘Plano Piloto Para Poesia Concreta’, de 1958.


Quanto à prática e sua motivação, diz ele: “Há artistas que são indiferentes ao ambiente social em que vivem. Não é o meu caso. Até Rilke, tido como um arauto do inefável em poesia, castigou os reis com a lepra e com a impotência em dois de seus mais cáusticos textos da série ‘Novos Poemas’, que traduzi. Continuo a empenhar-me em novas formas de expressar a linguagem poética tentando mantê-la viva e não meramente tributária de autores do passado. Mas me importam muito as injustiças sociais e a luta dos mais humanos e solidários em favor dos menos favorecidos, e não vejo como não expressar esse sentimento em muitos de meus poemas, ainda que evitando a retórica dos poemas panfletários. Pois, como entendia João Cabral de Melo Neto, um poeta ao mesmo tempo puro e engajado, a poesia é uma área linguística de expressão afetiva, por mais concreta, discreta e contida que seja”.


OS CONTRAPOEMAS E SEU CONTEXTO


Analisados esses “agitprops” em seu Instagram, é marcante a série de poemas militantes nesse período.


O primeiro deles, publicado em 27 de março de 2018, foi “Contrapoema – ABAPORAMA ai que saudade eu tenho de Brasília (democrática)”, um ready-made visual feito sobre uma foto em que posam sorridentes, como se nada estivesse acontecendo, o presidente dos EUA, Obama, de um lado do quadro Abaporu de Tarsila do Amaral e, de outro, Dilma Roussef e Michele Obama, ocasião em que Dilma estava sob forte pressão, em meio a uma luta intestina, a poucos meses ser cassada. É marcante a expressão irônica desse poema, portanto.


O segundo contrapoema é “CLÁUSULA PÉTREA”, que o autor apresenta como “ready-made (poema de 2 abril de 2018)”, composto pelo texto: “Constituição Federal / Artigo 5.º / LVII / Ninguém / será considerado / culpado / até o trânsito em julgado / de sentença penal / condenatória”. O poema insere-se no contexto das manifestações públicas então em curso em torno das decisões do Judiciário que culminariam, cinco dias depois, na prisão de Lula, em 7 de abril de 2018.


O terceiro contrapoema, datado de 10 de abril de 2018, “A DIVINA MARINA in desmemoriam Warhol – por Augusto de Campos”, também se apresenta como um ready-made, construído a partir de uma fotografia de 2014 cujas cores são alteradas à maneira de Andy Warhol. A imagem registra o momento em que Aécio Neves beija a mão de Marina Silva durante o segundo turno das eleições presidenciais daquele ano, quando ela declarou apoio ao candidato tucano contra Dilma Rousseff.


Ao reaproveitar essa fotografia em 2018, o poeta reinsere a cena no clima político posterior, marcado por intensas polarizações e revisões públicas daquele episódio eleitoral. O tom irônico e deliberadamente sarcástico do contrapoema evidencia o desencanto do autor com os desdobramentos políticos do período, aproximando o procedimento visual da tradição warholiana de apropriação crítica da imagem midiática.


Em 10 de abril de 2018, o poetamenos publica “SEXTILHA FANOMELOGOPAICA em –aica e em –aico”, “poema inédito” de 9/4/2018, cujo texto expressa a indignação do poeta diante do contexto político daquele momento – marcado, em sua leitura, pelo processo que culminaria no impeachment e pela prisão de Lula no Paraná, em 7 de abril de 2018: “a poesia mallarmaica/ a câmara anecoica/ a grande mídia farisaica/ a classe média mesozoica/ a injustiça paranaica/ a resistência heroica”.


Ou seja, pode-se interpretar que, ao evocar um horizonte de alta cultura associado à tradição mallarmaica, o poema estabelece um contraste com aquilo que surge, na avaliação do poeta, como regressão política e institucional no cenário contemporâneo. Nesse jogo de oposições, imagens de esvaziamento institucional, de alinhamento entre poderes e de massificação midiática aparecem condensadas na palavra-valise “paranaica”, que funde “paranoica” e “Paraná”, aludindo criticamente ao protagonismo da Operação Lava Jato sediada naquele estado. O verso final, ao convocar uma “resistência heroica”, insere o poema no clima político de 2018, marcado, entre outros acontecimentos, pela prisão de Lula na sede da Polícia Federal em Curitiba poucos dias antes.


Em 13 de abril de 2018, poetamenos publica o contrapoema “AMICA VERITAS (2016)”, com o texto grafado em um globo em cuja base está escrito “The World Bank”: “entre 2004 e 2014/ a parcela da população/ que vivia com menos de US $ 1,90 por dia/ no Brasil/ caiu de 11% para 3.7 %/ apesar desses avanços o país ainda é/ extremamente


desigual/ os 40 % mais pobres têm/ 12 % da renda total/ enquanto os 20 % mais ricos/ têm 56%”. O poema mobiliza dados econômicos para produzir um comentário crítico sobre a persistência da desigualdade social no país, refletindo o clima de forte polarização política do período posterior ao impeachment de Dilma Rousseff e os debates em torno da continuidade – ou interrupção – de políticas sociais associadas aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva.


Em 23 de abril de 2018 poetamenos publica o “Contrapoema LULALIVRE 2018”, em que ao final apregoa a bandeira “paranaicos no pinel”. O contrapoema soma-se à campanha nacional pela libertação de Lula da prisão, que se estenderia por 580 dias, até 8 de novembro de 2019. “LULALIVRE 2018” e “SEXTILHA FANOMELOGOPAICA em –aica e em –aico” foram incluídos em julho, no contexto da campanha pela libertação de Lula, no livro Lulalivre * Lulalivro, organizado por Marcelino Freire e Ademir Assunção, com a participação de 90 escritores e artistas diversos.


Em 27 de abril de 2018, poetamenos publica o contrapoema “sinal de transe: corte canguru” (kangaroo court), que o próprio autor explica como: “Corte jurídica que ignora padrões reconhecidos de lei ou justiça e desconsidera intencionalmente as obrigações legais ou éticas do tribunal. Na ‘corte canguru’ saltam-se tais normas e até os princípios constitucionais para negar ao réu o acesso à representação legal e à defesa adequada” (Augusto de Campos). O poema explicita o posicionamento crítico do autor diante das decisões judiciais então em debate público, especialmente aquelas relacionadas aos processos que levaram à prisão e à inelegibilidade de Lula, inserindo- se no clima de forte polarização política que marcou o período posterior ao impeachment de Dilma Rousseff.


Em 29 de abril de 2018, poetamenos publica o “Contrapoema: CHICANA”, cujo texto, editado em verde e amarelo, apresenta-se da seguinte forma: “man / obra / forjada / com base / em ponto irrelevante / ou formalidade jurídica / para impedir / ou / adiar / a / de / cisão / e / pre / judicar / o / réu”. A fragmentação gráfica enfatiza o sentido jurídico do termo e sugere uma leitura crítica dos impasses institucionais então em debate público, frequentemente associados às disputas em torno dos processos envolvendo Lula e ao contexto político que se seguiu ao impeachment de Dilma Rousseff.


Em 1.o de maio de 2018, poetamenos publica o contrapoema “CAVE MIDiA$”, contra as articulações politiqueiras e apoio da mídia que levaram ao impeachment da presidenta Dilma Roussef. Conforme a Wikipedia, Cave canem’ (em latim, significando “tenha cuidado com o cão”) é uma inscrição que havia na entrada de algumas casas ou vilas romanas, gravada num mosaico contendo a figura de um cão (provavelmente um molossus ou um canis pugnax) acorrentado que servia para alertar sobre a presença de um cão de guarda, mesmo que muitas vezes fosse apenas um blefe para desestimular a invasão de pessoas mal intencionadas. Conforme relato de Carlos Heitor Cony, na Folha de S.Paulo em sua coluna de 15 jun. 1995, esse aviso se tornou muito conhecido porque “inscrito em mosaico no pórtico da Casa do Poeta Trágico, em Pompéia, uma das mais visitadas daquela cidade-fantasma”.


Em 3 de maio de 2018, poetamenos publica o “CONTRAPOEMA: O SUPERTETO”, cuja intervenção gráfica introduz uma ruptura irônica no enunciado jurídico, convertendo o texto normativo em comentário satírico sobre os debates públicos a respeito dos chamados “supersalários” no serviço público. O poema inscreve-se no clima de forte contestação institucional presente naquele período, marcado por críticas dirigidas ao funcionamento do Judiciário e às decisões políticas e jurídicas que polarizaram o país, incluindo aquelas relacionadas ao impeachment de Dilma Rousseff e aos processos envolvendo o ex-presidente Lula.


Em 9 de maio de 2018, poetamenos publica “CONTRAPOEMA: O ALIENISTA 2018 (intradução de Machado de Assis)”, cujo texto, editado com efeitos visuais expressivos, afirma: “é uma doutrina jurídica nova cujo primeiro exemplo sou eu que reúno em mim mesmo a teoria e a prática”. Ao retomar ironicamente o universo de Machado de Assis e sua figura do alienista, o poema constrói uma alegoria crítica do poder jurídico concentrado em uma única autoridade interpretativa. A leitura dialoga com o contexto político-jurídico do período, frequentemente associado, no debate público, à atuação do então juiz Sérgio Moro nos processos que levaram à prisão de Lula, aproximando essa figura da dimensão satírica e paradoxal do alienista machadiano.


Em 12 de maio de 2018, por causa do cenário desenhado desde então, fez sentido republicar a “INTRADUÇÃO: menos GUILLOTINE APOLLINAIRE (2005)” –

tradução intersemiótica de “SOLEIL COUP COUP”, vertida por Augusto de Campos como “Sol Goela Degolada”.


Em 8 de julho de 2018, poetamenos publica uma leitura de Augusto de Campos, de sua tradução do Jaguadarte de Lewis Carroll, com música de Cid Campos e as palavras de ordem na introdução da publicação: “LULA LIVRE! PARANAICOS NO PINEL!”


Em 11 de setembro de 2018, poetamenos publica “DOUBLET PARA LULA – Augusto de Campos”, com a explicação: “O ‘doublet’ foi criado em 1879 por Lewis Carroll, o autor de Alice no país das maravilhas. O quebra-cabeça requer que passemos de uma dada palavra a uma de sentido oposto, mudando apenas uma letra por vez, todas com significado próprio. Ganha quem chegar à palavra adversa alterando o menor número de letras”. Transcrito, o texto do poema visual é o seguinte: “MORO/ MOTO/ LOTO/ LUTO/ LUTA/ LULA”.


Em 18 de setembro de 2018, poetamenos publica a performance “Portucais”, dos Italoboyz (2008), à qual Augusto acrescenta (2018) a inscrição “cidade” em apoio à candidatura de Fernando Haddad. O poeta explica: “A versão do poema CIDADE/CITY/CITÉ (Augusto de Campos – 1963) usada pela dupla de DJs e produtores italianos Italo Boys na faixa ‘Portucais’ é uma performance de Augusto de Campos improvisada em duas línguas, registrada pelo poeta francês Marc Dachy em sua residência em Paris em 1985”.


A intervenção ganha relevo no contexto eleitoral de 2018, marcado pela impossibilidade de candidatura de Lula após decisões da Justiça Eleitoral e pelos intensos debates nacionais e internacionais então em curso – incluindo manifestações do Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas acerca de seus direitos políticos. Nesse cenário, a incorporação do nome de Haddad evidencia o modo como a prática poética de Augusto de Campos passa a dialogar diretamente com a conjuntura política contemporânea.


Em 5 de outubro de 2018, dois dias antes das eleições à presidência, poetamenos publica o contrapoema “HADDAD OU NADA - #haddadounada - Augusto de Campos – 2018”, que, transcrito, diz o seguinte: “Haddad/ ou nada/ chegad/ etergi/ versar/ comadi/ tadura/ finada”.


Em 9 de outubro de 2018, poetamenos publica: “LUXO – Trecho de um depoimento inédito e peças do making of do poema publicado pela primeira vez em 1965, em pleno golpe militar”.


Em 14 de outubro de 2018, poetamenos publica o contrapoema “MERCADO” com o texto sobre uma fotografia de rua em que há uma placa escrita “Brazil”: “tudo à venda // cdtvcinema/ o gênio da raça/ a mortalidade infantil/ a má distribuição de renda/ a comunicação de massa/ a injustiça do sistema/ o risco brasil// nenhum poema”, informando que se trata de “versão publicada na nova edição da revista Circuladô, do Centro de Referência Haroldo de Campos (do museu Casa das Rosas), com a 2.ª parte de um dossiê sobre Augusto de Campos, entre outras atrações”.


Em 19 de outubro de 2018, poetamenos publica uma foto de Augusto de Campos diante de seu computador olhando a página da Editora Boitempo em que está estampada a notícia “Manifesto do Livro com Haddad pela democracia, cultura e liberdade de expressão”, com o seguinte texto: “Acaba de ser lançado um manifesto do livro, assinado por escritores, editores, livreiros e trabalhadores da indústria editorial. De caráter suprapartidário, o documento registra apoio à candidatura de Fernando Haddad neste segundo turno das eleições presidenciais brasileiras. Dentre as primeiras 200 assinaturas, nomes como Angela Davis, Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, Chico Buarque, Conceição Evaristo, David Harvey, Djamila Ribeiro, Leonardo Padura, Lilia Schwarcz, Lira Neto, Luiz Schwarcz (Cia. das Letras), Florencia Ferrari (Ubu), Ivana Jinkings (Boitempo), Rogério de Campos (Veneta), José Cortez (Cortez), Rejane Santos (Autêntica), Angel Bojadsen (Estaçao Liberdade), Samuel Leon (Iluminuras), Cristina Warth (Pallas Atena), Daniel Louzada (Livraria da Vinci), Deysi Bregantini (revista Cult), Ana Luísa Escorel (Ouro Sobre Azul), Luís Fernando Veríssimo, Milton Hatoum, Noam Chomsky, Nuno Ramos, Peter Burke, Roger Chartier e Slavoj Žižek, entre outros”.


Em 23 de outubro de 2018, poetamenos publica vídeo de seu discurso no Palacio de La Moneda, em Santiago do Chile, com o seguinte trecho e explicação: “Nós temos muito em comum. Nossos países tem uma história similar de luta pela democracia e contra os horrores de ditaduras. Sendo coincidentemente as presidentes do Brasil e do Chile testemunhas e vítimas vitoriosas de regimes autoritários insensíveis e insensatos para os quais a história nos mostra os poetas não passam indiferentes, antes ‘são sempre culpados’, na expressão do poeta brasileiro Oswald de Andrade. Que a poesia com seu exemplo de aventura e defesa da liberdade, agraciada por meu nome passageiro, possa contribuir alegoricamente para alertarmos os obscurantismos e autoritarismos que rondam a América de todos”. “Trecho do discurso que proferi ao receber o Prêmio Iberoamericano de Poesia Pablo Neruda em Santiago do Chile, em 7 de outubro de 2015, das mãos da presidenta Michelle Bachelet, no Palacio de la Moneda”.


Em 24 de outubro de 2018 poetamenos publica vídeo em que Augusto de Campos faz discurso de agradecimento diante de Dilma Roussef pela comenda recebida e transcreve nos comentários o seguinte trecho do discurso: “... mas é com redobrada emoção que recebo agora esta homenagem, assim como a honraria que me é concedida, pelas mãos da presidenta Dilma Rousseff, acima de tudo como um gesto cívico de solidariedade a esta que sempre vi como uma heroína da luta pela democracia nos abomináveis tempos da ditadura e que neste momento vejo resistir com a mesma firmeza e coragem àqueles que tensionam ingloriamente malferir a integridade das nossas instituições democráticas. Muito obrigado.” E informa: “Trecho do discurso que li ao receber a Grã- Cruz, das mãos da presidenta Dilma Rousseff, na solenidade da Ordem do Mérito de 2015, no Palácio do Planalto, na qualidade especial de homenageado, em 9 de novembro de 2015”.


Em 29 de novembro de 2018, poetamenos publica “Ressabor de Burrice - Homenagem a Tom Zé”, cujo texto representado nas cores verde, amarelo e branco diz o seguinte: “veja/ queb/ elez/ a ! em/ dive/ rsas/ core/ seem/ vári/ ossa/ bore/ s!ab/ urri/ cees/ tána/ mesa”.


Em 23 de dezembro de 2018, poetamenos publica o “Doublet (à maneira de Lewis Carroll)”, clamando: “chega de enrolar ! - respeito inalienável à Constituição Federal (artigo 5.º, LVII), salve ministro Marco Aurélio ! – LULA LIVRE !”, cujo texto é o seguinte: “PRESO/ prego/ prega/ praga/ traga/ trava/ toava/ toara/ tiara/ fiara/ fibra/ libra/ livra/ LIVRE”.


Também em 23 de dezembro de 2018, poetamenos publica “ERRAMOS! - contrapoema inspirado na manchete da FOLHA (@folhadespaulo) de hoje 23/12/2018)”, cujo texto diz: “otim/ismo/coma/ecoo/nomi/adon/osso/pai's/diz :/ para/ ! ! ! !” A referida manchete diz o seguinte: “Otimismo com economia dispara, diz Datafolha – Movimento é usual antes de posse de presidentes, mas índices batem recorde com Bolsonaro”.


Em 1o de janeiro de 2019, dia da posse de Bolsonaro na presidência, poetamenos publica o contrapoema “De um soneto de PASSOS DA CRUZ de FERNANDO PESSOA”: “passa o cortejo imperial e ao longe/ o povo só pelo cessar das lanças/ sabe que passa o seu tirano e estruje/ sua ovação e erguem as crianças”.


Em 2 de janeiro de 2019, poetamenos publica “Os vermes no portão do céu” - Wallace Stevens - Trad. Augusto de Campos – Poesia da Recusa – Augusto de Campos”: “OS VERMES NO PORTÃO DO CÉU – Da tumba vem vindo Baldroubadour,/ Nossos ventres são sua carruagem./ Primeiro um olho. Os cílios, um a um, / Desse olho e em seguida a branca pálpebra. / Depois a face em que a pálpebra caía, / E dedo atrás de dedo, após, a mão, / O gênio dessa face. Ei-los, os lábios, / Todo o peso do corpo e os pés então        Da tumba vem vindo Baldroubadour”.


Em 3 de janeiro de 2019, poetamenos publica o contrapoema “omito”, desmontando a pecha “o mito” aplicada pelos correligionários de Bolsonaro. O poema explora o deslizamento fonético entre “o mito” e “omito”, repetindo a palavra até o progressivo apagamento das letras e do próprio enunciado, procedimento que transforma o slogan político em operação de dissolução semântica.


Em 4 de janeiro de 2019, poetamenos publica um poema do livro Não (1994), com o seguinte conteúdo a re-dizer ao presente: “salve/ céu de/ mentira/ presente/ do passado/ que não/ muda// do céu do/ futuro/ que não/ mente/ o poeta/ morituro/ te saúda”.


Em 7 de fevereiro de 2019, poetamenos, sob o título “INJUSTIÇA PARANAICA”, republica um trecho do contrapoema de 10 de abril de 2018, “SEXTILHA FANOMELOGOPAICA em –aica e em –aico”, com os versos: “a grande mídia farisaica / a classe média mesozoica / a injustiça paranaica / a resistência heroica”. A reapresentação do poema ocorre no contexto da ampla repercussão da condenação de Lula no processo relativo ao sítio de Atibaia, decisão proferida em primeira instância pela juíza Gabriela Hardt. A publicação evidencia como Augusto de Campos reutiliza materiais anteriores para reinscrevê-los no debate político imediato, reforçando o estilo de seus contrapoemas nesse período.


Em 14 de fevereiro de 2019, poetamenos publica o contrapoema “CONSTITUIÇÃO”, construído a partir do Artigo 5.º, inciso LVII, da Constituição brasileira – “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. O trabalho retoma literalmente o texto constitucional para enfatizar, por meio da repetição e da apropriação poética, o debate jurídico e político então em curso sobre a presunção de inocência. Em comentário publicado junto ao poema, Augusto de Campos defende a interpretação estrita do dispositivo constitucional, inserindo a obra no clima de intensa controvérsia institucional que marcou o período. A declaração evidencia o grau de engajamento público assumido por Augusto de Campos, em que seus contrapoemas passam a funcionar não apenas como experimentação verbal, mas também como tentativa de intervir diretamente no debate jurídico e político contemporâneo.


Em 18 de fevereiro de 2019, em meio ao acirramento político e judicial do período, poetamenos publica o contrapoema “Come Ananás (1917)” – tradução de Augusto de Campos incluída em Maiakóvski – Poemas (ed. revista e ampliada, 2017): “Come ananás, mastiga perdiz. / Teu dia está prestes, burguês”.


Em 25 de março de 2019, poetamenos republica o contrapoema “MERCADO”, publicado por ele no Instagram em 14 de outubro de 2018 (veja acima), para informar que no “Dia 30 de março inaugura a exposição individual de Augusto de Campos ‘Poemas e Contrapoemas’ abrangendo seis décadas da produção do artista incluindo poemas seminais e obras inéditas”, de 30 de março a 18 de maio de 2019 na Luciana Brito Galeria, em São Paulo.


Em 5 de abril de 2019, poetamenos publica o contrapoema “EDUCAIXÃO” […], motivado pelo anúncio do bloqueio de aproximadamente R$ 5,8 bilhões no orçamento do Ministério da Educação – contingenciamento que atingiu cerca de um quarto das verbas discricionárias da pasta e provocou amplo debate público sobre os impactos das políticas fiscais na área educacional naquele momento.


Em 22 de abril de 2019, poetamenos publica fotografia de Augusto de Campos segurando o cartaz de seu poema “LIXO” (LIXO/LUXO) e o megatítulo “ESTOU INCONFORMADO COM A DEMOCRACIA MEIA BOTA NO BRASIL”, para divulgar entrevista dada à Revista Tutameia, motivada pela exposição “Poemas e contrapoemas”. Nessa entrevista, ele explica a característica dos contrapoemas e manifesta sua indicação, aqui sintetizada: “A situação no país, resultante das últimas eleições, é retrógrada e catastrófica. A condenação do presidente Lula não foi embasada em provas suficientes e convincentes, o que só por si já demandaria a sua anulação. Todo esse processo revela uma situação de excepcionalidade que fere fundo a democracia e a justiça em nosso país”.


A declaração evidencia novamente o tom abertamente interventivo assumido por Augusto de Campos nesse período, no qual a produção dos contrapoemas passa a articular experimentação poética e manifestação pública de opinião.


Em 15 de maio de 2019, poetamenos, interagindo com o movimento grevista nacional contra os cortes na educação (“Protestos e paralisações contra cortes na educação ocorrem em todos os estados e no DF – Houve manifestações em mais de 200 cidades do país, aponta levantamento do G1. Bolsonaro disse que bloqueou a verba para educação porque precisa e chamou os manifestantes de 'idiotas'”, G1, 15 mai. 2019), republica o poema “Greve” (1961) que foi incluído na antologia Viva vaia (1979).


Em 2 de julho de 2019, poetamenos publica o contrapoema “qual é o pOblema?”, ironizando o modo de falar do então ex-juiz e já político Sérgio Moro, em referência aos embates dele com a mídia após as denúncias divulgadas pelo Intercept sobre a atuação da Lava Jato. O contrapoema apresenta, sobre uma fotografia colorizada de Moro em postura provocativa, o seguinte texto: “o problema não é só renunciar // o problema é moral: / anular as decisões viciadas / pela perseguição política, falta de provas, / de juízo e de ética, e libertar / as vítimas do abuso”. O autor sustenta que as decisões judiciais mencionadas estariam comprometidas por perseguição política e ausência de provas, defendendo sua anulação e a libertação daqueles que considera vítimas.


Em 17 de outubro de 2019, a propósito da discussão em curso no país sobre a constitucionalidade da execução antecipada da pena de Lula, que voltou à pauta do Supremo Tribunal Federal, que sofre pressão pela libertação de Lula, poetamenos republica outra vez o contrapoema “CLÁUSULA PÉTREA”, de 2 abril de 2018, reiterando: “Artigo 5.º inciso LVII: ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória (constituição federal)”.


Em 8 de novembro de 2019, dia em que se dá a libertação de Lula, após o STF anular finalmente sua prisão, poetamenos mais uma vez publica o poema “CLÁUSULA PÉTREA”, acima referido.


Em 31 de março de 2020, poetamenos publica o contrapoema “BOLSOGRAMA”, apregoando o “Fora!” a Bolsonaro.


Em 6 de abril de 2020, depois repetido em animação em 7 de abril, poetamenos, no contexto dos embates sobre a pandemia e o modo irresponsável como o governo lida com a questão, publica “MENSAGEM NUMA GARRAFA (BOLSOGRAMA 2)”: “Para controlar o vírus melhor isolar o Bolsonaro”.


Em 10 de abril de 2019, poetamenos publica “FORA CLORONARO (BOLSOGRAMA 3)”. No contrapoema, Augusto de Campos incorpora a polêmica em torno da cloroquina – então defendida como tratamento da Covid pelo ex-presidente –, articulando-a à forma satírica do bolsograma.


Em 11 de junho de 2020, poetamenos publica o contrapoema “Bolsograma. Reprise. versão especial”, acompanhado do seguinte texto: “para que o bolsossauro caia fora, embalsamado em verdeamarelook e volte ao período excretáceo de onde se evadiu, com a sua tropa de tyranossauros”. No contrapoema, o autor utiliza linguagem satírica e metáforas de caráter depreciativo para expressar crítica ao governo então em exercício, associando-o a ideias de atraso político e institucional.


Em 27 de outubro de 2020, poetamenos publica o contrapoema “LULA”, que apresenta o seguinte texto: “CONTRA OS JURISCOPATAS DE DIREITA – CONTRA OS LEGULEIOS JORNALÍTICOS – que querem ver o operário Lula em prisão perpétua / como bode expiatório da perpétua / roubalheira dos políticos poupados / das classes abastadas e letradas”. Publicado por ocasião do aniversário de 75 anos de Luiz Inácio Lula da Silva, o poema assume caráter celebratório e combativo. Na peça, o autor formula críticas a setores do Judiciário e da imprensa, defendendo a interpretação de que Lula teria sido transformado em bode expiatório dentro do cenário político nacional.


Em 14 de setembro de 2020, poetamenos publica o “CONTRAPOEMA SOBRE O VERBO IR”, no qual Augusto de Campos realiza um jogo verbal que alude ao nome de Jair Bolsonaro. O contrapoema é republicado em 19 de junho de 2021, acompanhado da indicação “lembrando”. A peça insere-se no contexto das fortes tensões políticas do período da pandemia de Covid-19, quando setores da oposição criticavam a condução governamental da crise sanitária, como já referido.


Em 26 de setembro, foto de Augusto de Campos com bottom de apoio à campanha de Lula e a chamada em alto destaque: “LULA JÁ” e a mensagem: “LULA JÁ! HADDAD OU NADA! 1.º TURNO. PELA DEMOCRACIA! FORA BOLSONARO! FORA REVANCHISTAS RESSENTIDOS E OPORTUNISTAS IMPATRIÓTICOS!”


Em 10 de outubro de 2022, poetamenos republica vídeo acompanhado de uma explicação extensa em que retoma, em tom político e retrospectivo, sua leitura do processo de impeachment de Dllma Rousseff dos desdobramentos posteriores.


“Discurso que pronunciei, na qualidade de homenageado da edição de 2015 da Ordem do Mérito Cultural, ao receber a Grã-Cruz das mãos de Dilma Rousseff, advertindo sobre a farsa do impeachment que se começava a encenar. O golpe ficou escancarado com o voto de Bolsonaro, sob invocação do infame torturador Ustra. Os que buscam denegrir a presidenta se esquecem de que foi em seu governo (2.° mandato) que se promulgou a Lei Complementar 150 de junho de 2015, que assegurou às empregadas domésticas novos direitos, como FGTS, adicional noturno, seguro-desemprego, salário- família, entre outros. E que, durante o seu 1.° mandato, (2011-2014) a FAO (Organizacão para a Alimentação e Agricultura da ONU) proclamou, com a chancela do Banco Mundial, que , entre 2004 e 2014, a parcela da população que vivia com menos de US$1,90 por dia no Brasil caiu de 11% para 3.7%. EM 2014, A MESMA FAO EMITU RELATÓRIO RETIRANDO O BRASIL DO MAPA DA FOME, PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA, JÁ QUE O PAÍS TEVE A MAIOR QUEDA DE SUBALIMENTADOS ENTRE 2002 E 2014 (82,1%) !!!!!!!!!”.


A republicação do discurso evidencia como, anos depois, o poeta reinscreve aquele episódio no conjunto de seus contrapoemas, aproximando intervenção cívica e prática poética e reafirmando a dimensão pública que passa a assumir em sua produção nas redes sociais.


14 de outubro de 2022. Contrapoema de apoio à campanha e eleição de Haddad ao governo do Estado de São Paulo, “Vote Haddad/ paulista de verdade/ competência e honestidade”.


24 de outubro de 2022, foto de Lula com Haddad e o número 13, após resultado favorável a Haddad nas eleições para o primeiro turno no Estado de São Paulo.


26 de outubro de 2022, contrapoema visual com variações gráficas do número 13, do PT.


30 de outubro de 2022, foto de Augusto de Campos de máscara protetora contra a Covid, dentro de uma seção eleitoral, provavelmente após ter votado.


3 de novembro de 2022, repete a publicado do “contrapoema sobre o verbo ir”.


Em 27 de fevereiro de 2024, em meio ao avanço das investigações sobre a trama golpista envolvendo Jair Bolsonaro, que iriam condená-lo à prisão, poetamenos republica o poema animado “Sol / Goela / Degola”, com a indicação: “Intradução: Guillotine Apollinaire” — recriação da célebre linha final de Zone (1913), de Guillaume Apollinaire: “soleil cou coupé”.


Em 10 de julho de 2025, prestes a completar 95 anos, poetamenos publica o contrapoema político “Pestrump”, composto a partir de fotografia de Donald Trump com cores alteradas – terno roxo e face verde – em procedimento visual que remete à estética pop associada a Andy Warhol. A peça mantém a vertente satírica recorrente nos contrapoemas políticos do autor, dialogando com o ambiente de forte polarização internacional e com controvérsias públicas envolvendo o ex-presidente norte-americano naquele período, que o aproximam da figura de um ditador, e as acusações contra ele de pedofilia e envolvimento com Epstein.


Ao longo desses contrapoemas, observa-se a incorporação direta da conjuntura política ao campo experimental da poesia visual, em que linguagem, intervenção gráfica e comentário público passam a operar simultaneamente. Mais do que registrar acontecimentos específicos, essas peças revelam a permanência, na trajetória de Augusto de Campos, de uma poesia entendida como gesto crítico diante do presente.


Assim, os contrapoemas políticos não constituem um desvio ocasional, mas a continuidade e uma prática poética que, desde as vanguardas concretas, tensiona os limites entre forma estética, linguagem pública e participação histórica.


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* Ademir Demarchi nasceu em 1960 em Maringá (PR). É escritor, coeditor da revista Poetrishy (Bristol), coordenador editorial da revista Cuipatã (Cubatão). Editou a revista BABEL, de poesia, o selo Sereia Ca(n)tadora e publicou mais de 20 livros de poemas como Os mortos na sala de jantar; Pirão de sereia; Cemitério da Filosofia; In Fuck We Trust; Antologia impessoal; e os livros de ensaios Espantalhos e Contrapoéticas, entre outros. Ganhou em 2024 o primeiro lugar no Prêmio Livro de Contos da UBE-PB, com o livro A tênue película que nos separa deste mundo, e o primeiro lugar no Prêmio Desmadres de Escrita em Portunhol (Festival de Literatura Latinoamericana, Buenos Aires, 2023).

Referências


CAMPOS, Augusto de: Despoesia. São Paulo: Perspectiva, 1994.


              . Outro. São Paulo: Perspectiva, 2015.


              . Não poemas. São Paulo: Perspectiva, 2003.


              .                 Poetamenos.                 Instagram.                 Disponível                 em: https://www.instagram.com/poetamenos/.


              . Pós poemas. São Paulo: Perspectiva, 2024.


              . Viva Vaia poesia 1949-1979 (São Paulo: Ateliê Editorial, 2001).


LULA LIVRE * LULA LIVRO (Org. Ademir Assunção; Marcelino Freire). São Paulo: Fundação Perseu Abramo/PT, julho/2018.


MAIAKÓVSKI – Poemas. Ttradução de Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman. Edição revista e ampliada. São Paulo: Perspectiva, 2017.


LUCENA, Eleonora de Lucena. LUCENA, Rodolfo. Augusto de Campos: Estou inconformado com a democracia meia bota no Brasil. Revista Tutameia, 19 abr. 2019. Disponível em: https://tutameia.jor.br/augusto-de-campos-estou-inconformado-com-a- democracia-meia-bota-no-brasil/.


Consultas gerais


Jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo/ G1. Wikipedia.

 
 
 

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2022 por Paola Schroeder, Claudio Daniel, Rita Coitinho e André Dick

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